quarta-feira, 12 de março de 2008

If it kills me...

Felizmente para a cultura musical e para nós, melómanos ou simples apreciadores de música, existem certas indididualidades que se destacam pela sua capacidade de compôr e interpretar canções. Estas personalidades são usualmente designadas de songwriters.

A exploração deste género (não sei se é bem um género) é, quase sempre, profícua: um homem ou mulher que se dedicam à composição e interpretação da sua música de uma forma intimista e muito pessoal costumam apresentar resultados igualmente intimistas e pessoais. E sabe tão bem a sensação de partilha destas emoções com o autor. Como se se tratasse de uma conversa única e intrasmissível entre nós ouvintes e o autor.

São inúmeros os songwriters que, por si só mereceriam um artigo de opinião e exultação: Tom Waits, Bob Dylan, Brendan Perry, Leonard Cohen, Jammie Lee Curtis, Suzanne Vega, Patti Smith, Fausto (não esquecer este :) ), etc.


Uma característica comum aos songwriters é o poder da sua voz. É natural que, quando um autor deseja transmitir uma mensagem, recorra, principalmente, à sua voz. Logo, é comum sermos invadidos pela reverberação cristalina de uma voz que transmite uma mensagem. Quem sabe se maomé não transmitiu a mensagem a cantar? Soa bem :)

Pessoalmente, estou habituado a songwriters cujas vozes são graves e de longa amplitude. Pelo que, fiquei particularmente admirado e "perturbado" quando descobri a obra de John Darnielle. Um compositor e intérprete da Carolina do Norte. A característica deste autor que salta logo à vista é a sua voz. Aguda e por vezes esganiçada, a voz deste autor, acredito, não deverá causar grande admiração. A primeira vez que ouvi a voz deste autor não fui capaz de o aguentar muito tempo.

Bom, eu gosto de julgar que sou homem razoável e tolerante e, vai daí, voltei a dar uma oportunidade à banda deste autor, os The Mountain Goats. Desta vez, com a mente despida de preconceitos e atenta ao que o homem estava para ali a arengar (mas ninguém me tira a opinião de que o tipo é estranho). Confesso que o considero o melhor compositor que descobri nos últimos anos.

Para além da sua voz característica, este autor prima, especialmente, pela qualidade da sua composição lírica. As suas canções são constantemente boas. Evocativas de paisagens urbanas, experiências humanas, emotivas (Se és Emo faz-me um favor: não me chateies) e também de muita fantasia.

O disco que apresento aqui foi o disco que me introduziu aos The Mountain Goats e é, para mim, o melhor que já ouvi (Ainda não os ouvi todos) e intitula-se The Sunset Tree.

O disco trata da relação difícil do autor com o seu pai adoptivo. Desde o princípio, as músicas tocam este tema por vezes de forma directa e crua, outras de forma metafórica e indirecta. Lendo cada letra e cada canção, percebemos que este assunto está enquistado na alma do autor.

Vale a pena!

Destaques:

You or Your Memory
This Year
Dance Music
Up the Wolves
Lion's Teeth
Love Love Love

Vídeos:
This Year
Dance Music

Woke up New
No Children

Ouvi muito recentemente o último álbum desta banda: Heretic Pride. Também está muito bom! :D


1 comentário:

HARD CORE MAMA disse...

Gostei do facto de abordares o tema dos Canta-Autores. De entre os diferentes tipos de int�rpretes, destaco sempre esses. N�o porque os considere mais genu�nos que os outros.... apenas mais corajosos, uma vez que t�m de se expor mais. Enfrentam no palco um p�blico e os seus pr�prios fantasmas.
Referiste um um dos preferidos - Tom Waits.
Deixo-te (tenho sempre que deixar qualquer coisa, sim eu sei) outro nome incontorn�vel dos songwriters - CHICO BUARQUE
Um excelente int�rprete e um autor melhor ainda. T�o bom, t�o bom que at� quando escrevia no feminino era aut�ntico e v�vido